Page 6 - Tese Doutoramento sobre o Porf. Lúcio Craveiro da Silva
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“Leituras de… Lúcio Craveiro da Silva”


fôlego e novas perspectivas, comecei a ser senhor da minha vida, enfim a ser finalmente
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homem» . As marcas que Antero deixou na cultura de Craveiro da Silva ficaram
retratadas num prólogo que este escreveu num livro que dedicou ao grande poeta

Português. Depois de Braga, partiu para o berço de Portugal, Guimarães. Aqui, foi
professor de Literatura aí, mais precisamente no Convento da Costa. Regressou ao

estrangeiro para se formar em Ética Económica e Política, pois havia-lhe sido atribuído
esse cargo. Ordenou-se sacerdote em 1944 em Bilbau. Ainda em terras de Espanha

estudou Teologia em Granada, Economia em Bilbau e Ciências Políticas na Bélgica.

Em 1966 foi Superior Provincial dos Jesuítas Portugueses (1960-1966). De regresso à
pátria defendeu a sua tese de doutoramento, intitulada de «A Idade do Social, Ensaio

sobre a Evolução da Sociedade Contemporânea». Foi docente da Universidade de
Braga e dirigiu-a durante três períodos (1952-1958; 1971-1976; 1986-1994). Fez ainda

parte, em 1955, do Congresso Português de Filosofia. O professor Lloyd Braga (criador
da Comissão Instaladora da Universidade do Minho) convidou Lúcio a fazer parte dessa

mesma comissão. Em 1981, Craveiro da Silva foi eleito reitor da Universidade do

Minho, onde já leccionava, após o afastamento do Professor Romero, por parte do
ministro Lourenço Marques. O primeiro reitor a ser eleito em Portugal foi, ainda

membro do Instituto de Filosofia Luso Brasileira e da Academia das Ciências de

Lisboa. Craveiro da Silva foi o primeiro responsável pelo Instituto Superior de
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Economia e Sociologia , do qual foi também director. O cargo de Presidente do
Conselho Cultural da Universidade do Minho (1995), também foi exercido por ele.
Cargo esse que exerceu até morrer.





A Universidade e a construção do Homem





Os homens valem segundo a cultura que os enriquece e o lar da cultura
encontrasse na Universidade. Nela se instrui, se aumenta o conhecimento com novas

investigações, floresce a liberdade e se convertem a formação dos espíritos. Deste
modo, os homens tornam-se cada vez mais homens porque nela aprendem a ser livres na

responsabilidade e assim a sua formação humana é bem mais profunda e duradoira.


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Lúcio Craveiro da Silva, Ser Português, Ensaios de Cultura Portuguesa, Centro de Estudos Artísticos, Universidade do Minho,
2000, pp.67.
3 A Universidade de Évora foi criada graças a este Instituto.


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