Page 5 - In Memorium Lúcio Craveiro da Silva ISESE
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Segundo Arrupe, o Apostolado Social, autentico, deve integrar fé e justiça;
ou, como diria a CG XXXIV “servir a fé promovendo a justiça”.




3. Os Centros de Investigação e Acção Social (oportet haec facere et illa
non omittere)


Os jesuítas portugueses sempre tiveram actividades em prol das categorias
socioculturais mais desfavorecidas, mas faltava-lhes actuar sobre as estruturas.
Ao jeito dos tempos, as suas casas, residências, colégios, igrejas, tinham os
“seus” pobres a quem prestavam assistência, mas, não mais que isso. Os padres
iam celebrar Missa às cadeias; os estudantes visitavam semanalmente os
presos, a quem davam Catecismo, forneciam jornais, emprestavam livros, e
serviam, nalguns casos, de elo de ligação com o exterior, nomeadamente com
as famílias, com os Tribunais e com os advogados, além de ensinarem o
Catecismo as crianças dos bairros pobres. Seguiam assim na peugada de Santo
Inácio seu Fundador ou, por outras palavras, faziam o que se veio a chamar mais
tarde, em finais do século XIX “apostolado social”.


Após a Encíclica “Rerum Novarum” de Leão XIII, deram-se conta de que
não bastava a “caridade” e a prática das obras de misericórdia, corporais e
espirituais, para resolver o magno “problema social” surgido com a
Revolução Industrial. Era necessário “reorganizar a sociedade”; substituir as
estruturas e instituições existentes, geradoras de tanta injustiça e miséria. Urgia
reformar as mentalidades dos que detinham o “poder” na sociedade. Com
tal objectivo, centraram os jesuítas seus esforços na formação e na difusão da
Doutrina Social da Igreja que apelidara tal situação de “miséria imerecida”.

Em 1903, surge em França o primeiro Centro de Investigação de Acção
Social – Action Populaire- para ajudar os jovens operários a organizarem-se e a
prepararem-se para actuarem no seu meio; em 1909, é fundado em Inglaterra
o “Catholic Social Guild”; de 1905 a 1923 é publicado na Alemanha, pelo P.
Heinrich Pesch um Manual sobre a Economia Nacional, em cinco volumes; na
Espanha aparecem os Círculos Operários e a revista Fomento social; em
1934 o Padre John la Farge fundou o Catholic Interracial Council em Nova
Iorque.


Em Portugal os jesuítas tardaram em consciencializar a importância e a
urgência do apostolado social tal qual o definiu o P. J. Baptista Janssens em
1949, e as Congregações Gerais posteriormente havidas nos anos 50 e 60 do
século XX. Para confirmar esta afirmação baste consultar o livro de P. João
Caniço, Jesuítas em Portugal, 1542 – 1980, Edições Conhecer, 1980.



4. Lúcio Craveiro e o Instituto Superior Económico e Social (O regresso do
actor)
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