Page 4 - In Memorium Lúcio Craveiro da Silva ISESE
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Por todo o mundo foram criados Centros de Investigação e Acção social
(CIAS) que o Superior Geral desejava que fossem providos de “jesuítas bem
preparados, inteiramente dedicados a esta tarefa” (Michael Campbell –
Johnaton sj, Uma Breve História, Promotio Iustitiae n.º 66, Fev., 1977, pag. 9).
A Congregação XXVIII, 15, diz mesmo que “no caso de uma Província
particular não poder dedicar algum dos seus membros a esta actividade”,
então o Provincial e seus conselheiros, terão de examinar com atenção,
que Obras poderão abandonar em favor dos CIAS, considerados como “um
bem mais universal”. A congregação XXIX determinou que todos os Provinciais
criassem um “Centrum Actionis et studiorum socialium”. João Baptista
Janssens, que em 1949 publicou uma Instrução Sobre o Apostolado Social,
em que formulou e sistematizou o pensar jesuíta sobre esse assunto. Nela
reconhece que a Guerra impediu a sua recepção eficaz, mas insiste em que se
criem Centros de Investigação e Acção Social, cuja função deverá ser, não
tanto a multiplicação das “Obras Sociais”, mas o estudo e ensino da doutrina
social teórica e prática a públicos que a assimilem e depois a difundam entre
sacerdotes, intelectuais, quadros administrativos e técnicos, operários de maior
capacidade. Não esquece a acção com os pobres, e acrescenta até, que é
necessário que alguns padres “trabalhem com as suas próprias mãos, durante
algum tempo, com operários, nas minas ou fábricas” (Acta Romana 12, 1954,
693).


Aquando da canonização do Beato José Pignatelli, esclareceu melhor a
distinção entre obras de beneficência e o que actualmente se chama acção
social. “As obras de beneficência suavizam algumas tristezas; a Acção Social
suprime, na medida do possível, as próprias causas do sofrimento humano”
(Acta Romana 12, 1954,696).

O P. Pedro Arrupe, eleito Geral em 1965, desde o início do seu mandato,
recomendou com insistência que o dinamismo social deveria estar presente em
toda a Obra Apostólica dos jesuítas, cujo objectivo deveria ser: “não somente
prover as classes pobres e marginalizadas da sociedade, com os bens temporais
e espirituais necessários para levar uma vida mais humana, digna da sua
vocação e dignidade, mas sobretudo configurar as mesmas estruturas da
convivência humana, de modo a que estas alcancem uma expressão de maior
justiça e caridade para permitir a cada um não somente ter suficientes bens
temporais e espirituais, senão também, “exercer de facto o seu sentido pessoal
de participação na actividade e responsabilidade em todos os sectores da vida
comunitária” (CG 31, D. 12).


Arrupe insiste na necessidade da transformação das mentalidades e
estruturas sociais e da presença activa da Igreja nas Organizações
Internacionais e nos Congressos que tratam do desenvolvimento. Era necessário
portanto, rejuvenescer os CIAS, que nalguns países tinham entrado em crise
“vinculando-os mais estreitamente com os que trabalham nas bases; abrindo-os
à colaboração com outros sectores de apostolado: educação, pastoral, reflexão
teológica e interdisciplinar, ampliando assim o seu raio de acção” (Acta Romana,
17 (1978) 5).
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