Page 3 - In Memorium Lúcio Craveiro da Silva ISESE
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1 . Etapas de um Percurso

Nasceu o jesuíta padre, professor doutor Lúcio Craveiro da Silva em Tortosendo,
vila industrial do Concelho da Covilhã, em 27 de Novembro de 1914 e entrou na
Companhia de Jesus em 1931. Estudou Filosofia em Braga (1934-1938) e
obteve a licenciatura nesta disciplina em Oña (Burgos); licenciou-se em Ciências
Económicas na Universidade Comercial de Deusto (Bilbao); e em Ciências
Políticas e Sociais na Universidade Católica de Lovaina. Finalmente, fez o
doutoramento na Faculdade de Filosofia de Braga (1951), de que foi, por três
vezes, nomeado Director (1952 – 1958; 1971 – 1976; 1986 – 1994).


Da sua actividade docente sobressai a leccionação das cadeiras de Ética e
Filosofia Social, História da Filosofia, Antiga e Medieval na Faculdade de
Filosofia de Braga e no Centro de Estudos Humanísticos anexo à Universidade
do Porto. Em Évora leccionou Direito Constitucional Comparado no Instituto
Superior Económico e Social .

Foi nomeado Provincial dos jesuítas portugueses de 1958 – 1964 e, por várias
vezes, eleito pelos seus pares para ir a Roma representar a Província
Portuguesa da Companhia de Jesus, em Congregações Gerais ou de
Procuradores, que cada quatro anos se reúnem com o Superior Geral, para
informar e analisar o estado da Companhia, implantada em todo mundo, e avaliar
as iniciativas apostólicas e os problemas mais universais da mesma
(Congregação Geral XXXIV, Decreto 23, 6).

As suas qualificações académicas conferiram-lhe ascendente sobre os seus
colegas; o exercício da docência, criou-lhe admiradores e discípulos. Não admira
pois, que fosse chamado a participar nos fóruns mais importantes dos jesuítas
portugueses, quer por inerência do cargo, quer por eleição dos seus pares.




2. Os Jesuítas e o Social (Beneficência, Animação Sociocultural, Reforma
das Estruturas e Mentalidades)




Nos anos 50 do século passado (século XX), Lúcio Craveiro, era o único
jesuíta português com formação específica no “domínio do social” (Sociologia,
Economia, Ciências Políticas), embora outros jesuítas houvesse, em Portugal,
peritos em Ética, Filosofia Social, Doutrina Social Católica, e até mesmo em
Direito. Mas, já desde finais da década de 40, o Geral e as Congregações
Gerais, insistiam em que “o social” deveria ocupar as mentes e as actividades
dos jesuítas.


A Congregação Geral vigésima oitava, em 1938, e, em 1946, a vigésima nona,
declararam que o apostolado social, deveria ser considerado pelos jesuítas
como um dos ministérios mais importantes da Companhia de Jesus e, como
tal, incentivado.
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