De Insula Romana a Biblioteca:




Dois milénios de história Intervenção na CASA GRANDE DE SANTO ANTÓNIO DAS TRAVESSAS  DÉCADA DE 80 (1992-1997)

Durante mais de uma década, entre 1987 e 1996, o imóvel esteve abandonado, com os alicerces da fachada principal consolidados e com o esqueleto em betão. Em 1992, realizaram-se escavações com a finalidade de avaliar a possibilidade de se aproveitar o logradouro como espaço para depósito de livros de um novo núcleo da Rede de Bibliotecas Públicas. As sondagens revelaram que o subsolo era rico em materiais arqueológicos e em informação sobre o passado daquela zona, mas que as ruínas romanas e medievais tinha sido muito revolvida por saque de pedra.

Os registos, as fotografias, os desenhos somam milhares de elementos cujo estudo exaustivo ainda está por realizar. O material recolhido - cerâmicas, metais, moedas”- é abundante e a  sua cronologia estende-se por um largo espectro. Destaca-se uma interessante série de moldes de sítula, de tradição indígena, terra sigillata, um selo de bula papal (século XIII). A fase inicial da obra de construção civil foi acompanhada por uma equipa de Arqueologia.

Encontramo-nos numa zona privilegiada da cidade romana, situada nas imediações do forum, que deve ter sido urbanizado a partir de meados do século I. Os vestígios de estruturas permitem caracterizar parte da planta da domus, com várias lojas abertas ao pórtico que se dispunha ao longo do cardo máximo.



Em função do resultado das sondagens, a UAUM concluiu que o subsolo do logradouro sofrera grandes revolvimentos, de tal modo que se entendia como viável a abertura da cave, desde que fosse conservada in situ a cloaca descoberta e escavada a totalidade do terreno.

O parecer mereceu a concordância do IPPAR.

Na sequência da aprovação do projecto pelo IPPAR, realizaram-se amplas escavações no Logradouro, nos anos de 1995 e 1997, que apenas não abrangeram toda a área devido a motivos de segurança, relacionados com os muros de contenção de terra que delimitavam o espaço.


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Fig. 3 - Planta das escavações representando a cloaca disposta no interior da BLCS

Cloaca

- O logradouro do ex-Albergue Distrital é hoje um dos espaços de Braga em que a superfície estudada atingiu maior amplitude.


- Alguns números são expressivos: ao todo, foram mais de 36 meses de trabalho de campo; fizeram-se centenas de desenhos; operaram-se milhares de fotografias ou diapositivos; e recolheram-se dezenas de milhares de fragmentos de espólio, sobretudo cerâmico, tanto romano, como medieval e mesmo da Idade Moderna.


- No terreno, esteve uma equipa da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, orientada por Francisco Sande Lemos, coadjuvado por José Manuel Freitas Leite e que contou, na fase final, com a colaboração de Rute Palmeirão Silva.


-No dia 9 de março de 1876, é dada a primeira notícia pelo jornal “Commercio do Minho” da descoberta de uma cloaca construída pelo Rei D. Diniz, e que pertencia às fortificações primitivas da cidade.

 

Factos interessantes

A cloaca presente no edifício da BLCS poderá ser visitada pelos utentes sendo que para isso basta procederem à marcação de visita de grupo (mínimo 5 pessoas)

Sabia que …
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Informação

Pode visualizar  um espólio de imagens das escavações da biblioteca no menu galeria presente neste site.

©2014  Biblioteca Lúcio Craveiro  da Silva .Todos os Direitos Reservados. Proibida a reprodução do todo ou em  parte deste Website. A cloaca romana Fig.1 Vista da área das escavações no futuro terreno da bibliopolis Fig. 2 Imagem do interior da colaca (Imagem  retirada do livro Braga Top-Secret)

Descoberta em 1876, a cloaca romana, presente no edifício da BLCS foi datada do século I, tempo do imperador Augusto (27 a.C. a 14 d.C.), e foi uma estrutura que fazia parte de uma extensa área de drenagem que levaria as águas pluviais pelo menos até à zona do Campo das Hortas.

A cloaca tem uma altura média de 1,40 m e uma largura de 85 cm, além de possuir uma inclinação que permitia que as águas fluíssem naturalmente. Pontualmente, possui pequenas aberturas de secção variável por onde entravam os esgotos das casas contíguas.

 

Durante a construção do edifício da BLCS considerou-se possível a abertura de uma cave na área do logradouro, sendo que a importância desta estrutura justificou a sua preservação sob o piso da atual biblioteca. O projeto que teve em consideração esta condicionante foi aprovado pelo Ministério da Cultura.

Entretanto, as escavações foram retomadas em anos sucessivos, entre 1995 e 1997, de forma contínua, de maneira a registar todos os elementos que iam ser removidos. Na sequência  destes novos trabalhos, foi localizado um conjunto de embasamentos cuja conservação in situ obrigou  a pequenas alterações no projeto inicial, tendo sido removida um parte da cloaca para que se pudesse construir a garagem do edifício.


Fig. 4 - Imagem  da secção da cloaca que foi removida do local.